domingo, 9 de maio de 2010

Coleta de ovos na Costa Rica






Se lembram dessa imagem? Em janeiro, postamos um texto que desvendou uma corrente virtual que estava deixando muita gente indignada.
Os emails, com o título “Crime lamentável”, mostravam fotos de ovos de tartarugas que estavam sendo capturados pela população da Costa Rica, ameaçando a sobrevivência da espécie.


Pois bem, em uma tríade de posts a questão foi esclarecida aqui, informando que tratava-se de um programa controlado pelo governo local para evitar que os ovos fossem destruídos pelas tartarugas que voltariam ao local para desovar mais filhotes.
O assunto chegou, hoje, ao Fantástico. Com as mesmas imagens. O detalhe é que a história já cresceu, segundo eles. O email afirmava que as tartarugas eram do rio Solimões, na Amazônia. Veja aqui a matéria do programa e lembre-se dos nossos posts clicando aqui.

por Julia Kacowicz

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Leão marinho foge da polícia e se esconde debaixo de viatura


Leão marinho foge da polícia e se esconde debaixo de viatura


Animal tentava atravessar movimentada via em San Diego.
Especialista do SeaWorld convenceu filhote a se ‘entregar’.


Um filhote de leão marinho deu muito trabalho à polícia de San Diego, no estado da Califórnia (EUA), na manhã desta quarta-feira (5). O animal se escondeu debaixo da viatura da polícia depois de quatro horas de perseguição


Leão marinho é convencido a se entregar depois de quatro horas de perseguição (Foto: Agência AP)

O filhote de 8 meses de idade foi visto atravessando uma movimentada via em Ocean Beach por volta das 4h da manhã.
A polícia foi chamada e tentou render o animal. O leão marinho saiu debaixo de um carro e, ao ser perseguido, tentou se esconder na viatura da polícia.
Um especialista do SeaWorld usou sua técnica para "convencer" o animal a se render.
O leão marinho estava desidratado, mas não ficou ferido. Ele será cuidado e depois devolvido ao mar.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

"Peixe vivo vale dinheiro de Celso Calheiros*


Em terra, a questão é se pensar em fórmulas que possam manter as florestas em pé. No mar, uma ONG dedicada a proteção e estudo dos recifes usou a mesma lógica para o meio marinho. Colocou em prática uma ideia original que procura fazer com que pescadores artesanais ganhem dinheiro com o peixe vivo. Como subproduto, eles ainda se transformam em agentes multiplicadores de informações sobre a riqueza de vida no litoral brasileiro.

Os recifes são tão comuns na paisagem litorânea pernambucana que, nas praias urbanas, acabaram por se reduzirem a isso: a paisagem. A visualização de vida nos recifes é fácil, mas tão pouco cuidada que chega a ser maltratada – até mesmo por pescadores, que deveriam ser os primeiros a defender esses berçários que servem a tantas espécies de peixes com valor comercial.


Por causa dessa pouca atenção recebida por essa característica marcante do litoral nordestino que pesquisadores, professores e militantes em defesa do meio ambiente criaram o Instituto Recifes Costeiros (Ircos), que possui uma presença bastante atuante em Tamandaré, município pernambucano que fica no litoral sul, poucos quilômetros depois da badalada Praia de Porto de Galinhas.

Foi com o apoio técnico e científico do Ircos que o governo federal decretou a Área de Proteção Ambiental Marinha Costa dos Corais, a maior APA do país. Ela começa em Tamandaré e segue cerca de 180 km até a Praia de Paripueira, em Alagoas. São 413 mil hectares de uma APA que busca a proteção dos recifes. O Ircos foi além: dentro da APA, conseguiu a definição de uma área de 400 ha totalmente fechada, onde só os pesquisadores podem entrar para acompanhar do meio ambiente.

O futuro depende do cuidado que devemos ter com nosso litoral. A Zona Costeira Marinha ocupa aproximadamente 4,5 milhões de km2 – é uma das maiores faixas costeiras do mundo, com mais de 7.400 km entre a foz dos rios Oiapoque e Chuí. É a nossa Amazônia Azul, com espécies de fauna e flora somente encontradas aqui.


A ideia da capacitação dos jovens pescadores partiu da observação que os pesquisadores fizeram do entorno da base em Tamandaré, em instalações próximas ao Centro de Pesquisa e Gestão de Recursos Pesqueiros (Cepene) do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e da Marinha do Brasil.


Primeiro observaram o movimento dos barcos de e pesca, depois realizaram um cadastramento que buscava classificar quem só vive da pesca; quem pesca, mas possui outras fontes de renda (em especial nas altas estações); quem pesca por recreação.

O resultado evidenciou que o maior grupo era composto de jovens que têm na pesca uma de suas fontes de renda. São filhos de pescadores e de outros profissionais que vivem com um orçamento familiar enxuto. Esses jovens, quando entravam no mar também tinham, entre outras características, hábitos agressivos para os delicados corais, como uso de arpões e grandes paus para empurrar as embarcações. Com financiamento da ONG SOS Mata Atlântica, criaram um curso de Reef Check dos principais corais brasileiros. As aulas têm períodos teóricos e exemplos junto a colônias de corais in loco. Além de apresentar os corais pelos nomes, explicam o funcionamento desses animais de formas inesperadas, coloridos e delicados.

Os jovens que se inscreveram nas 23 vagas abertas no curso do Ircos corresponderam às expectativas. Todos tinham vivência prática e experiência em mar, mas nenhum deles tinha iniciado um curso em uma faculdade. A descoberta de que poderiam somar suas experiências de vida com conhecimentos científicos serviu como um estimulante forte.

Wilson José da Silva, 22 anos, ganhou seu diploma de Reef Chek no fim do mês passado, mas encarou o rito de passagem como o primeiro degrau de uma escalada maior. Ele se prepara para o curso de biologia na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, no município vizinho de Palmares, e depois planeja fazer vestibular para o curso de Oceonografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Quero ser como eles”, afirma o jovem, admirador dos instrutores do Ircos.


Jonatas de Lima, 19 anos, é outro diplomado e faz questão de repetir ensinamentos repassados nas aulas, como os cuidados para não mexer nos corais, não andar sobre os recifes, respeitar os períodos de desova e nunca pescar peixes que não estejam nos tamanho e peso corretos. “Eu quero me transformar num agente multiplicador”, repete.

A aproximação do Ircos com o SOS Mata Atlântica é fácil de entender a partir da informação de que os recifes de corais são importantes para o bioma terrestre, que mantém trocas e produz seu equilíbrio a partir delas, conta a professor Beatrice Padovani Ferreira, do departamento de Oceanografia da UFPE, uma das consultoras do Ircos.

Outro pronto de encontro entre o projeto do Ircos e o SOS Mata Atlântica está no interesse da ONG por projetos de cunho ambiental que levem em conta as comunidades inseridas naquele meio, em especial as populações economicamente mais vulneráveis. O diretor do Ircos Manoel Pedrosa conta que o financiamento só foi aprovado por prever uma atividade social sustentável e a contrapartida ecológica.

Além das aulas em salas e no mar, os alunos receberam catálogo totalmente plastificado (logo, pode ser levado ao mar), com fotos, nome popular e científico das principais espécies de corais, invertebrados, substratos e peixes que são encontrados nos pontos de atração.

Os jovens estão instruídos e com material em punho, esperam pelos interessados. O plano que deve começar com o fim do curso é a criação de uma cooperativa entre os formados. Eles dispõem de bote, jangada e catamarã com outros colegas da colônia de pescadores. Possuem máscara, canudo e nadadeiras e sabem onde estão os corais pelo tipo, pela riqueza da fauna e flora e pela qualidade da água. E sabem detalhes das trilhas a serem exploradas.


Mercado turístico

Um dos trabalhos no curso Reef Check foi a medição das trilhas que serviriam para se levar os visitantes. Eles não só conhecem as trilhas como sabem a distância entre uma parada e outra e o melhor roteiro a ser desenvolvido.

Tudo que o Ircos planejou foi criar em Tamandaré um núcleo instruído antes que o mercado turístico fizesse suas próprias regras – em geral depredadoras. Ao lado da Praia de Tamandaré está a Praia de Carneiros, que tende a ser o próximo endereço a ser explorado tanto pela indústria turística como pela imobiliária. Carneiros é hoje o que Porto de Galinhas foi antes do boom, que transformou um endereço de pescadores em CEP de resorts de luxo e empreendimentos hoteleiros cinco estrelas destinado a convenções. Carneiros e Tamandaré estão a menos de 30 minutos de Porto de Galinhas.

VEJA FOTOS DOS CORAIS OBSERVADOS NAS ÁGUAS DE PERNAMBUCO


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pesca ilegal de golfinhos e tubarões no Amapá

Na audiência realizada segunda-feira, dia 12 de abril, em Macapá (AP), foi provado que mais de 80 golfinhos foram massacrados e utilizados como isca na pesca ilegal de tubarão



Barbatanas de tubarões apreendidas em Rio Grande, RS que atende ao mercado asiático. Foto de Gerson Pantaleão
A audiência pública ocorreu na 2ª Vara Federal do Amapá e contou com a presença de representantes do Ministério da Pesca, Marinha do Brasil, Ibama do Amapá, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA), o réu Jonan Queiroz de Figueiredo (proprietário das embarcações responsáveis pela pesca de golfinhos), Cristiano Pacheco (diretor jurídico do Instituto Sea Shepherd Brasil) e o Dr. Antônio Philomena (oceanógrafo voluntário da Sea Shepherd Brasil).

A audiência iniciou com o depoimento do réu, Jonan Queiroz de Figueiredo, proprietário das embarcações apreendidas. O diretor jurídico voluntário da Sea Shepherd Brasil, Cristiano Pacheco, fez mais de dez perguntas relacionadas à pesca ilegal de golfinhos e a veracidade da alegação do réu, que afirmava que os cetáceos haviam sido pegos por acidente.

O Dr. Antônio Philomena, formulou perguntas técnicas, afirmando ao Juiz que “dificilmente 83 golfinhos ficariam emaranhados acidentalmente em uma rede de malha. Ao que tudo indica, não houve emaranhamento dos animais, assim como, a captura não foi acidental”, ponderou Philomena.

“O depoimento do Sr. Jonan foi a parte mais difícil. Depois de algumas perguntas diretas e incisivas o réu confessou que os 83 golfinhos massacrados em 2007 foram entregues, em alto mar, para uma embarcação de pesca para utilização como isca de tubarão. Desconfiávamos desta ação mas, uma confissão pública, em juízo, foi um choque”, afirma Pacheco.

“Os golfinhos são mamíferos especiais, dotados de inúmeros talentos e inteligência comprovada. O Brasil é referência mundial na proteção de cetáceos. Saber que estão sendo utilizados como isca de tubarão para uma atividade clandestina e mafiosa que atende ao mercado asiático, é uma vergonha para nós cidadãos e conservacionistas. Além do massacre cruel, ilegal e inaceitável, estes notáveis animais ainda estão servindo de isca de tubarão, fato que o Ibama e o governo do país deveriam conhecer e reprimir. A Sea Shepherd Brasil estará atenta ao desenrolar deste caso e sempre que golfinhos estiverem em risco a Sea Shepherd estará presente na sua defesa”, afirma Pacheco.

O representante do Ibama afirmou que é comum o surgimento de embarcações pesqueiras asiáticas, japonesas e norueguesas na área costeira do Amapá, em especial na região do Oiapoque, onde a fiscalização é praticamente nula e os recursos marinhos são fartos. Afirmou também, que é comum embarcações nacionais prestarem serviços de pesca para embarcações estrangeiras, de forma irregular e sem qualquer fiscalização.

O cenário apresentado na audiência expôs o total descaso com os ecossistemas marinhos na costa do Amapá, uma das regiões costeiras mais ricas do país em biodiversidade. O réu, mesmo sendo conhecedor da atividade profissional da pesca e proprietário de uma grande embarcação, afirmou “não conhecer” a distância legal mínima da costa permitida para a pesca motorizada com rede. O Ibama afirmou que a pesca marinha no estado é descontrolada, não há efetivo nem aparelhamento mínimo para a fiscalização.

A próxima audiência foi designada para o dia 24 de julho de 2010, às 9:00hs, na Justiça Federal do Amapá, em Macapá, onde será intimada a SEFAZ/AP, da Polícia Ambiental, IMAP e a Superintendência da Polícia Federal do Amapá.

Entenda o caso

O Instituto Sea Shepherd Brasil ingressou com ação judicial dia 26 de outubro de 2007 motivado pela denúncia do massacre de mais de 80 golfinhos, no estado do Amapá, que seriam utilizados como isca na pesca ilegal de tubarões. O fato foi noticiado em rede internacional. A pesca de golfinhos é considerada ilegal em território nacional de acordo com a Lei Federal nº. 7.643/87, chamada Lei de Cetáceos, que também proíbe a captura e molestamento de baleias em águas jurisdicionais brasileiras.

Empresas estrangeiras de pesca recrutavam embarcações nacionais para que realizassem esta carnificina em território brasileiro. “Infelizmente, nossa fiscalização ambiental é fraca e despreparada, fato que propicia estes acontecimentos lamentáveis. Nós, da Sea Shepherd Brasil, estaremos atentos a este caso e a outros que atentarem contra a vida marinha nacional, afirma Daniel Vairo, cofundador e diretor geral voluntário do Instituto Sea Shepherd Brasil.

A campanha do Instituto Sea Shepherd Brasil que foi chamado de Operação Furacão Silencioso é uma homenagem ao silêncio do IBAMA e à inércia da Justiça Federal. O furacão é uma referência a nossa intenção em promover com esta ação judicial uma séria investigação sobre as empresas que estão se beneficiando com esses massacres”, diz Vairo.

Por Guilherme Ferreira, Instituto Sea Shepherd Brasil.